06/10/2021

16h às 19h

COLÓQUIO

Ensino Fundamental: Busca de Soluções e Desafios

O nível educacional hoje denominado Ensino Fundamental, no Brasil – etapa dos 6 aos 14 anos –, originou-se da junção dos antigos ensino primário (dos 7 aos 10 anos) com o ginasial (11 aos 14 anos), sem uma discussão mais aprofundada e ampla sobre questões ligadas a aspectos pedagógicos e de socialização e desenvolvimento cognitivo de crianças e adolescentes e suas implicações para as vivências escolares. Isso gerou, de um lado, uma justaposição artificial de uma etapa escolar que se pretendia contínua mas que se traduz por uma descontinuidade real observada particularmente na passagem do quinto ano do chamado primeiro ciclo do Ensino Fundamental, em que os alunos são atendidos por professores polivalentes, em geral um por classe, para um sexto ano, já do segundo ciclo do Ensino Fundamental, em que os alunos passam a ter que aprender com uma dezena ou mais de professores em disciplinas específicas, professores que não acompanharam o desenvolvimento escolar das crianças nos seus primeiros anos desse ensino. Sem articulação, os ciclos I e II dessa etapa escolar reproduzem o antigo primário e o ginasial. Isso tem gerado problemas e questões que se pretende discutir neste Colóquio: além da já citada falta de articulação, a passagem para o ensino médio, o tratamento dado à literacia das crianças, a fragmentação curricular no ciclo II, a formação dos professores para essa etapa educacional.

 

Bernardete Gatti 

Curadora

 

Como participar?

O Encontro será transmitido no canal da Cátedra no YouTube. Não é preciso fazer inscrição prévia. O envio de perguntas e comentários será feito pelo chat do YouTube.

Haverá certificado de participação?

Sim. Para entender como funciona o processo de certificação, leia nossas orientações clicando aqui.

 

ORGANIZAÇÃO

Cátedra Alfredo Bosi de Educação BásicaInstituto Anísio Teixeira (Secretaria Estadual de Educação da Bahia)

 

Com curadoria de Bernardete Gatti e apoio do Instituto de Estudos Avançados e da Fundação Itaú para Educação e Cultura.

 

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PARTICIPANTES

Cybele Amado  (IAT – SEC-BA)

 

Exposição: Os desafios propostos na contemporaneidade para a Formação Continuada de Educadores que atuam na educação básica são diversos e urgentes. Refletir sobre o contexto específico do Ensino Fundamental, dirigindo o olhar mais focal para a etapa final desse nível de ensino, torna a situação ainda mais desafiadora, uma vez que no âmbito das políticas públicas para a formação continuada na educação básica,

o que é escasso em todas as etapas, níveis e modalidades, se acentua fortemente no Ensino Fundamental II.

Nascida em Salvador no dia 13 de junho de 1967, Cybele Amado de Oliveira é pedagoga, possui mestrado em Gestão Social e Desenvolvimento pela Universidade Federal da Bahia (2010), Escola de Administração. Cybele Amado, sempre pautou sua vida profissional para a educação. Aos 21 anos mudou-se para Caeté-Açú, na Chapada Diamantina, para lecionar em escola pública. Foi no Território da Chapada que também iniciou sua vida como gestora e empreendedora social, com o Projeto Chapada, e posteriormente, em 2006, com a criação do Instituto Chapada de Educação e Pesquisa (ICEP) que busca a melhoria da qualidade da educação por meio da formação continuada de educadores. O Projeto Chapada foi considerado um dos 20 melhores e mais inovadores projetos sociais na América Latina na Categoria Educação Básica, pela Fundação W. K. Kellogg e a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe da ONU (CEPAL), recebendo uma Menção Honrosa em novembro de 2005, na sede da CEPAL em Santiago, Chile. Em 2008, Cybele Amado foi vencedora do Prêmio Cláudia, promovido pela editora Abril, na categoria Trabalho Social. Foi vencedora, também, do Prêmio Empreendedora Social, em 2012, promovido pela Folha de São Paulo e Fundação Schwab, tornando- se membro do Fórum Econômico Mundial. Em 2019, deixa a presidência do ICEP e assume a diretoria geral do Instituto Anísio Teixeira (IAT/SEC), órgão que integra a estrutura da Secretaria da Educação do Estado da Bahia. É, também vice-presidente do Fórum Estadual Permanente de Formação Docente – Forprof e membro associada efetiva do Todos pela Educação.

Diana Sampaio Melo (IAT – SEC- BA)

 

Exposição: Pensar sobre as perspectivas curriculares, para o desenvolvimento de processos formativos com educadores, implica na compreensão de que esses dispositivos são construções sociais e históricas, de caráter político e identitário que expressam e modificam, significativamente, a vida das pessoas que os vivenciam. Nesse sentido, conceber uma proposta de formação continuada para educadores, em especial do Ensino Fundamental II, requer uma profunda reflexão sobre as características constitutivas desse momento de escolarização na educação básica, os sujeitos educadores e educandos nela inseridos e seus múltiplos e ao mesmo tempo singulares contextos.

Possui Graduação em PEDAGOGIA pela Faculdade de Educação da Bahia (1989), Especialização em Psicopedagogia, Mestrado em Educação e Contemporaneidade pela Universidade do Estado da Bahia (2008) e Doutorado em Educação pela FACED/UFBA. Membro do FORMACCE/UFBA . Atualmente está Diretora Pedagógica do Instituto Anísio Teixeira, órgão em regime especial de administração direta da Secretaria Estadual da Educação da Bahia. É servidora pública do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA). Tem experiência em docência na educação básica e superior e atua em consultoria e assessoria na área de Educação, principalmente nas seguintes temática: currículo, avaliação da aprendizagem e educacional, educação profissional e tecnológica, gestão educacional.

Micheli Bispo Amorim Cruz (IAT- SEC-BA)

 

Exposição: A participação da educadora no referido evento versará sobre sua prática profissional como docente da educação básica. A proposta é contribuir com a reflexão acerca dos desafios em atuar no Ensino Fundamental II, através da narrativa que relata as experiências de distorções entre o currículo de formação docente e a realidade encontrada na escola da atualidade.

Universidade Federal da Bahia (2011) e Graduação em Letras Vernáculas com Inglês pela Universidade Católica do Salvador (2002). Atualmente está Coordenadora de Formação Continuada do Instituto Anísio Teixeira, órgão em regime especial de administração direta da Secretaria Estadual da Educação da Bahia. É servidora efetiva da rede estadual de ensino do estado da Bahia (SEC-BA) e da rede municipal ensino de Salvador - BA (SMED). Tem experiência na docência de Língua Portuguesa, na educação básica e no nível superior, atuando principalmente nos seguintes temas: literatura, língua materna, ensino, aprendizagens. Presta serviço de consultoria pedagógica a diversas redes de ensino e instituições, com experiência na formação de educadores em diferentes níveis de ensino.

Nilson Machado (Cátedra Alfredo Bosi – IEA- USP)

 

Exposição: Quatro desafios se apresentam a todos que decidem buscar soluções para os problemas que a realidade do Ensino Fundamental apresenta. O primeiro é superar a falta de identidade dessa etapa da
Educação Básica. Desde os tempos idos da dupla identidade do Ensino Primário e do seletivo Curso Ginasial, tentativas de justaposição simples na constituição do Ensino de Primeiro Grau até a atual denominação de Ensino Fundamental, cindida em Fundamental I e Fundamental II, nenhuma mudança estrutural foi realizada, e “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”, como clamou Belchior.
O segundo é ofertar uma formação integrada para os professores desse nível de ensino, ultrapassando a anomalia
atual (e de sempre), em que a maior parte dos professores do Fundamental I não conhece os conteúdos (de matemática, principalmente) do Fundamental II.
O terceiro é a incorporação e a vivência da ideia das áreas do conhecimento, tacitamente presente na prática pedagógica desse nível de ensino (não somente nas Ciências da Natureza, facilitando a “acoplagem” com o Ensino Médio.
O quarto é a tomada de consciência da não terminalidade do Ensino Fundamental, dando mais ênfase ao fato de que caracterizar o Ensino Médio como a etapa final da Educação Básica é uma conquista histórica que precisa ser concretizada.

Professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP). Ingressou na USP como docente em 1972, no Instituto de Matemática e Estatística. A partir de 1984, transferiu-se para a Faculdade de Educação. É Mestre em História e Filosofia da Educação pela PUC-SP (1981), Doutor em Filosofia da Educação pela USP (1989), Livre Docente em Epistemologia e Didática pela FEUSP (1994), sendo Professor Titular da FEUSP desde o ano 2000. Desde 2016, é PROFESSOR SENIOR da FEUSP. Já orientou mais de 6 dezenas de mestres ou doutores no Programa de Pós-Graduação da FEUSP. Durante quatro mandatos, foi Chefe do Departamento de Metodologia do Ensino e Educação Comparada da FEUSP. No biênio 1993/94, foi Professor Visitante no Instituto de Estudos Avançados da USP, no Programa Educação para a Cidadania. Participou, entre 1998 e 2002, da equipe que elaborou o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), e coordenou a equipe que elaborou o atual Currículo de Matemática do Estado de São Paulo, em 2008-2009. Atualmente, é membro do Comitê Executivo da Cátedra de Educação Básica do IEAUSP/ITAÚ SOCIAL.

Coordenação e Mediação

Bernardete Gatti (Cátedra Alfredo Bosi de Educação Básica)

Com mais de 50 anos de atuação na área da educação, Bernardete Gatti é uma das maiores referências do país quando se trata da formação e qualificação de professores da educação básica. Formada em pedagogia pela USP com pós-doutorados no Canadá e nos Estados Unidos, Bernardete presidiu, até recentemente, a Câmara de Educação Básica do Conselho Estadual de Educação do Estado de São Paulo. Anteriormente, havia presidido também o Conselho. Atualmente, é conselheira na Câmara de Educação Superior. Na Cátedra, Bernardete integra o Comitê Consultivo e costuma participar das atividades desenvolvidas, como seminários e minicursos.

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