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“Pedagorremoto”: impactos do uso de tecnologias na prática docente durante período de distanciamento social

Marcus Vinícius de Mattos Alvarenga, Isabela Rotha Evangelista

Por conta do confinamento social oportunizado pela COVID-19 urgiu a necessidade de se aplicarem formações remotas em cursos e instituições 100% presenciais, de modo que a inserção de aplicativos e softwares de comunicação instantânea se tornaram essenciais para a prática educativas. Nessas condições o curso de Licenciatura em Pedagogia encontrou uma forma de apresentar ao estudante um novo formato de educação, mediada pelos meios virtuais e imersa em de conteúdos digitais e mídias que podem otimizar a prática docente.

Assim, entre as propostas aplicadas aos estudantes, além da geração de conteúdos próprios para a Educação tida como remota se desenvolveu o “Pedagorremoto” estudo que procurou observar os impactos do período de confinamento social para os professores da Educação Infantil e das primeiras séries do Ensino Fundamental.
Desta forma busca-se apresentar neste trabalho a percepção do professor acerca dos reflexos e acometimentos da repentina obrigação de se imigrar para o uso dos recursos digitais como ferramentas de aprendizado e o quão impactante será esse período para o ensino da possível terceira etapa descrita anteriormente onde haverá, de alguma forma, a retomada do ambiente escolar com estudantes muito mais imersos nos meios de aprendizagem digital.

Por conta de aspectos formais, será realizado um recorte geográfico, buscando apresentar as percepções dos docentes da rede municipal de ensino das cidades de São João da Boa Vista, Espírito Santo do Pinhal, Aguaí e Vargem Grande do Sul, especialmente da Educação Infantil e séries iniciais o Ensino Fundamental, sobre as práticas tecnológicas existentes antes do período remoto, as interações e atividades educativas realizadas durante o distanciamento social e as projeções de como os recursos digitais utilizados para as práticas remotas irão impactar as interações de aprendizado no futuro. É importante captar a percepção docente acerca das desigualdades geradas por meio dos variados acessos aos recursos tecnológicos.
Não é intuito deste trabalho discutir se as políticas adotadas foram ou não assertivas, nem tampouco apontar os méritos e deméritos dos procedimentos adotados pelas instituições escolares, até porque, diante de tantas opções de trabalho remoto e, principalmente, pela variação nas metodologias e propostas criadas, muitas vezes inseguras do que seria possível ser realizado diante do desconhecido.

A intenção principal deste trabalho é perceber como a atual geração de pedagogos vai ser impactada pelo afastamento social nas suas interações, sejam elas imediatamente remotas e futuramente presenciais, de forma a valorizar o conhecimento preexistente a partir das relações do estudante com o meio e o outro, tendo em vista a ruptura das conexões físicas e a substituição das mesmas por interações remotas.

Não parece exagero pensar que é a Educação que irá traçar os trilhos do novo mundo. Todavia para se criar esse novo mundo é fundamentalmente importante perceber o que os protagonistas da Educação, sejam os educadores ou educandos, entendem dele. De maneira freiriana, pensar: qual a leitura de mundo que existirá nas mediações educativas após o mundo ter sido visto, enquadrado, da janela de um software ou aplicativo de celular.
Apresenta-se, portanto, um novo perfil de pedagogo: o peagorremoto que, alia na sua prática docente, as mais oportunas ferramentas para o aprendizado distanciado fisicamente.

Referências

CORTELLA, Mário Sérgio. A era da curadoria: o que importa é saber o que importa!. Campinas, Papirus, 2015.
FREIRE Paulo. Ação cultural para a liberdade. 12ªed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 2007.
GADOTTI, Moacir. A escola dos meus sonhos. São Paulo, Instituto Paulo Freire, 2019.
PASSOS, Luiz Augusto. Leitura do Mundo in STRECK, Danilo R.; REDIN, Euclides; ZITKOSKI, e (Orgs). Dicionário Paulo Freire.1ªed. Belo Horizonte, Autêntica, 2008. p.240-242.

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