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Programas, projetos e iniciativas para formação de professores

FOCEM: Formação Continuada em Música para professores unidocentes

Rafael Veras Zorzolli, Isabel Bonat Hirsch

O desenvolvimento profissional do docente é um tema amplo e muito discutido no meio educacional. Para Wengzynski (2013) a formação continuada é entendida como parte desse desenvolvimento, possibilitando um novo sentido à prática pedagógica. Bellochio (2010) enfatiza que um dos grandes desafios ligados a esse processo formativo de professores está associado à aproximação entre escola e universidade, de modo a promover comunidades colaborativas, envolvendo professores da escola e comunidade acadêmica. O "FOCEM - Formação Continuada em Educação Musical" é um projeto de extensão do curso de Música Licenciatura da Universidade Federal de Pelotas e está em atividade desde 2009 com objetivo de musicalizar professores unidocentes da rede pública de ensino do município de Pelotas-RS e região.
Na intenção de colaborar com a formação continuada e prática de professores unidocentes, e por entender que grande parte dos cursos de pedagogia no Brasil não dispõe de uma formação musical específica (MANZKE, 2016), o FOCEM atua de forma a suprir a demanda do conhecimento musical de professores que atuam na educação infantil e anos iniciais do ensino básico. Ao disponibilizar uma formação musical ao professor, que será responsável pelo primeiro contato com o ensino de música aos alunos ingressantes da educação infantil e dos primeiros anos do ensino básico, o FOCEM colabora diretamente na atuação desses docentes. Queiroz e Marinho (2007) afirmam a necessidade de estruturar e “fomentar alternativas metodológicas de ensino de música que atendam a realidade das escolas de educação básica” na atuação de professores.
Até o ano de 2019, o FOCEM atuava de forma presencial, em um laboratório do Centro de Artes - UFPel. Além das aulas oferecidas aos professores nas dependências da Universidade, o projeto também realizava oficinas itinerantes requisitadas por escolas e Secretarias de Educação de outros municípios da região, uma forma de oferecer atividades de musicalização aos professores que estavam longe da Universidade e que tinham interesse no tema.
Em 2020, em decorrência da pandemia da Covid-19, o projeto foi adequado à forma remota de ensino. Para Palú (2020) “é preciso analisar as transformações vivenciadas no campo educacional diante da nova realidade”. As oficinas são realizadas em encontros semanais, por meio de plataformas digitais gratuitas, de forma síncrona ou assíncrona. Com o isolamento social, advindo da política de distanciamento as escolas, alunos e professores se viram com a necessidade da utilização maciça de ferramentas digitais, o que expôs severamente as insuficiências da educação no país no que se refere ao uso de tecnologias (SILVA, PETRY e UGGIONI, 2020).
Contando com uma equipe de quatorze monitores e dois bolsistas, alunos de diferentes semestres do curso de Música Licenciatura, o FOCEM oferece oficinas de forma remota. A Oficina Básica de Musicalização I, é onde os professores têm o primeiro contato com o projeto e passam pelo processo de musicalização, para aprender conceitos básicos da música e desenvolver prática musical. Dessa forma, os professores têm um melhor aproveitamento nas demais oficinas. A Oficina Básica de Musicalização II tem como objetivo a continuidade de conceitos básicos da música e o aperfeiçoamento de atividades, para que professores possam aprender e criar atividades para a prática na sala de aula. A Oficina de Técnica Vocal tem objetivo de desenvolver conceitos e conhecimentos para um melhor uso da voz em sala de aula. A Oficina de Percussão tem objetivo de inicializar o professor em instrumentos percussivos para uso em sala de aula.
Para Imbernón (2010), considera-se fundamental que, no momento de planejar a formação, os professores participem de todo o processo, pois só assim constatam que as práticas oferecem benefícios individuais e coletivos aos estudantes e a atividade docente. O resultado esperado após o processo de musicalização dos professores unidocentes é que haja uma gama de atividades e repertórios para a realização de momentos musicais em sala de aula. Mas para que isso ocorra, espera-se que o professor tenha compreensão de conceitos musicais básicos, como pulsação, parâmetros sonoros, ritmos diversos que serão executados em instrumentos de percussão, e controle da voz.

Referências

BELLOCHIO, C. R.; GARBOSA, L. Educação musical na formação inicial e continuada de professores: projetos compartilhados do Laboratório de Educação Musical - LEM - UFSM/RS. Cadernos de Educação, Universidade Federal de Pelotas, 2010. v. 37, p. 247-272.
IMBERNÓN, F. Formação Continuada de Professores. Porto Alegre: Artmed, 2010.
MANZKE, Vitor Hugo Rodrigues. Formação musical de professores generalistas: uma reflexão sobre os processos de formação continuada. Dissertação de Mestrado em Educação Musical – Programa de Pós-graduação em Música, Universidade do Estado de Santa Catarina. Florianópolis, 2016.
QUEIROZ, Luis Ricardo Silva; MARINHO, Vanildo Mousinho. Educação musical nas escolas de educação básica: caminhos possíveis para a atuação de professores não especialistas. Revista da ABEM, Porto Alegre, V. 17, 69-76, set. 2007.
SILVA, L.A. PETRY, Z.J.R. UGGIONI, N. Desafios da Educação em tempos de pandemia: como conectar professores desconectados, relato da prática do estado de Santa Catarina. In:. PALÚ, J; SHUTZ, J. A; MAYER, L. Desafios da Educação em tempos de Pandemia. Cruz Alta: Editora Ilustração, cap. 2, pág. 19-36, 2020.
WENGZYNSKI, Danielle Cristiane. A formação continuada e suas contribuições para a docência a partir da percepção das professoras dos anos iniciais da rede municipal de ensino de Ponta Grossa/PR. 2013. 136 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal de Ponta Grossa, Ponta Grossa, 2013.

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